Projetando para os Ouvidos: o movimento que destaca o som como elemento essencial no design arquitetônico. Recife, Rio e Fortaleza em 2025; novas edições em 2026.

Por muitos anos, a acústica foi vista como um detalhe — algo que se resolvia “mais tarde”, quando o ruído já incomodava, a reverberação atrapalhava e a experiência perdia qualidade. Mas 2025 marcou uma virada importante para o setor de arquitetura e design no Brasil.
Com o evento “Projetando para os Ouvidos”, o país passou a discutir o som como parte do projeto desde o início, assim como fazemos com luz, fluxo, texturas ou ergonomia. A iniciativa abriu espaço para uma mudança cultural: arquitetos, designers, engenheiros e indústrias estão vendo que o som não é um problema técnico, mas uma oportunidade de criar experiências mais humanas.
Promovido por Trisoft, Arkflex e Ambi, com parceria técnica da Audium, o evento se tornou um movimento vivo de educação e conscientização, reunindo especialistas e profissionais em torno de um objetivo comum: projetar ambientes em que o conforto acústico seja natural, sustentável e parte da identidade dos espaços.
Em 2025, o evento passou por Recife (julho), Rio de Janeiro (novembro) e chegará em breve a Fortaleza (dezembro), consolidando-se como um dos principais encontros nacionais sobre acústica aplicada à arquitetura. E o movimento segue crescendo: em 2026, novas edições chegarão a Rio Grande do Norte, Maranhão, Minas Gerais, além de outras regiões que serão anunciadas em breve. Este artigo celebra essa jornada e mostra como o Brasil está aprendendo, de fato, a projetar para os ouvidos — e não apenas para os olhos.
1. Quando o som entra no projeto, tudo muda
A acústica é invisível, mas profundamente perceptível. Ela define:
- se o restaurante é agradável ou cansativo;
- se o hotel proporciona descanso ou frustração;
- se o escritório ajuda a produzir ou desgasta;
- se a experiência é imersiva ou desconfortável.
O Projetando para os Ouvidos nasceu da necessidade de colocar o som no centro da conversa. Ele propõe que arquitetos e designers enxerguem a acústica como um elemento projetual — não como um problema, mas como um recurso.
A arquitetura sensorial entende que conforto não é só visual: é sentir o ambiente. E o som é parte fundamental desse sentir.
2. Três cidades, um mesmo propósito: educar, conscientizar, transformar
2025 foi o ano em que o evento se estabeleceu nacionalmente. Cada cidade trouxe uma camada importante para o movimento.
Recife — Julho 2025
A edição em Recife inaugurou o ciclo com força. O público trouxe questões reais do Nordeste, como:
- impacto do ruído urbano;
- desafios de bares e restaurantes com alta reverberação;
- demandas acústicas para escolas e igrejas;
- soluções para escritórios híbridos.
Foi uma edição de acolhimento e despertar. Muitos profissionais comentaram que nunca tinham participado de um evento que tratasse a acústica de forma tão clara e aplicada à realidade local.
Rio de Janeiro — Novembro 2025
O Rio entregou profundidade técnica e sensibilidade estética.
Temas como:
- arquitetura sensorial;
- materiais sustentáveis aplicados à acústica;
- bem-estar em ambientes coletivos;
- redução de ruído em espaços de convivência e hospitalidade
foram discutidos com intensidade.
A edição contou com um grande número de profissionais de hotelaria e arquitetura comercial — reforçando o papel da acústica como diferencial estratégico.
Fortaleza — Dezembro 2025
Fortaleza encerra o ciclo de 2025 com muita expectativa.
A edição não fecha apenas um ano: abre a expansão nacional de 2026.
O Nordeste mais uma vez será palco dessa transformação — agora com um evento ainda mais robusto, maduro e colaborativo.
3. Palestras que uniram técnica, sensibilidade e propósito
O evento se destacou pela qualidade dos palestrantes e pela complementaridade das abordagens.
Débora Barretto — A responsabilidade da arquitetura acústica
Uma das maiores referências do país, Débora discutiu:
- o papel da arquitetura no bem-estar acústico;
- a importância das normas brasileiras;
- a responsabilidade social de projetar ambientes saudáveis;
- como a percepção sonora afeta saúde, foco e convivência.
Sua fala foi um marco de conscientização.

Maurício Cohab (Trisoft) — Sustentabilidade acústica e economia circular
Maurício apresentou:
- o impacto do PET reciclado na acústica;
- o poder das soluções de alta absorção feitas de fibras limpas;
- como design sustentável pode transformar o setor;
- a importância da economia circular aplicada aos materiais arquitetônicos.
Ele trouxe dados, aplicações reais e visão de futuro.
Jean Chimelo (Arkflex) — Ambientes corporativos e performance humana
Jean abordou:
- como o som influencia produtividade;
- tendências de escritórios flexíveis;
- desafios acústicos no modelo híbrido;
- importância da absorção para reduzir estresse e fadiga sonora.
Uma palestra muito prática e conectada ao dia a dia dos profissionais.
Fernando (Ambi Acústica) — Revestimentos acústicos em madeira
Fernando apresentou uma visão estética e funcional da madeira aplicada à acústica.
Ele destacou:
- a beleza natural dos painéis de madeira;
- como textura, relevo e design elevam a performance sonora;
- a combinação entre tecnologia e natureza;
- soluções aplicadas em ambientes corporativos, comerciais e culturais.
Foi uma fala que aproximou técnica e sensibilidade.
4. A mesa redonda: onde a técnica encontra a realidade
As mesas redondas reuniram arquitetos, designers e especialistas locais.
Foi o momento mais vivo do evento, onde surgiram debates como:
- Como convencer clientes a investir em acústica?
- Por que tantos ambientes públicos ainda sofrem com reverberação?
- Quais soluções funcionam melhor em clima quente e úmido?
- Como equilibrar estética, custo e desempenho?
A troca entre profissionais transformou teoria em prática — e prática em aprendizado.
5. Educação e consciência: o verdadeiro DNA do movimento
O Projetando para os Ouvidos não é um evento técnico.
É um movimento.
Ele existe para:
- democratizar conhecimento;
- fortalecer o olhar sensorial;
- aproximar arquitetura e engenharia;
- desmistificar a acústica;
- trazer sustentabilidade para o centro da conversa;
- formar profissionais mais conscientes e humanos.
Ele não entrega respostas prontas — entrega novas perguntas.
E é isso que faz o movimento crescer.
6. Olhando adiante: 2026 será um ano de expansão
A repercussão das três edições de 2025 abriu portas para uma expansão natural.
“Em 2026, o movimento se expande para novos estados brasileiros — entre eles, Rio Grande do Norte, Maranhão e Minas Gerais — e outras regiões que serão divulgadas em breve.”
O objetivo é claro:
levar conhecimento onde ele transforma realidades.
O som faz parte da vida — e deveria fazer parte do projeto.
O Projetando para os Ouvidos não é apenas um encontro.
É uma nova forma de pensar o espaço.
É um convite para projetar com mais sensibilidade.
É um movimento que cresce porque faz sentido — para quem projeta, para quem constrói, para quem vive o espaço.
A arquitetura do futuro é sensorial, humana, sustentável.
E tudo isso começa por aquilo que sentimos — inclusive pelo que ouvimos.